O Importante é que a nossa emoção Sobreviva (1974)

domingo, 12h00
onde: Teatro Municipal
(Praça Ramos de Azevedo)
O importante é que a emoção sobreviva: frase da música "Mordaça", de Eduardo Gudim e Paulo César Pinheiro, também deu nome aos lendários shows dos dois com a cantora Márcia, que originou o disco homônimo. Em um misto de protesto e revolta, o show de 1974 tinha um clima tenso, com as pessoas insistindo em cantar em plena ditadura militar. Mas não só por isso o LP se tornou um marco para a música brasileira. Recheado de composições memoráveis, os disco registra toda a cumplicidade que Gudin e Pinheiro exalam no palco, fruto de uma parceria que se iniciou quando ambos tinham 17 anos. O importante é que a emoção sobreviva realizou-se em dois shows, o primeiro em 1974 no Teatro Oficina em São Paulo e o segundo, dois anos depois, no Teatro Ginástico, no Rio. Na Virada Cultural 2008, Eduardo Gudin, Paul César Pinheiro e Márcia serão acompanhados pela banda Notícias dum Brasil.

Faixas

  1. Veneno (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
  2. Consideração (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
  3. Tatuagem (Paulo Gesta - Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho)
  4. Ingênuo (Benedito Lacerda - Pixinguinha)
  5. Resíduo•Resíduos (Eduardo Gudin-Paulo César Pinheiro)
  6. Marcha-rancho (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro - Maurício Tapajós)
  7. Justiça (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
  8. Velho casarão (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
  9. Refém da solidão (Baden Powell - Paulo César Pinheiro)
  10. Cautela • Mordaça (Eduardo Gudin-Paulo César Pinheiro)

Eduardo Gudin

Eduardo Gudin, que em 2007 completou 40 anos de carreira, é uma das maiores referências do samba. Começou a tocar violão aos 13 anos de idade e já aos 16 se apresentou no programa de TV “O Fino da Bossa”, sendo conduzido por Jair Rodrigues ao palco. Participou de festivais em 1968 e 69, e teve sua música "Lá Se Vão Meus Anéis" (com P.C. Pinheiro) defendida pelos Originais do Samba. Na década de 70 afirmou-se decisivamente como compositor, tendo músicas gravadas por Elizeth Cardoso, MPB-4, Gal Costa ("Bem Bom", com Arrigo Barnabé e Carlos Rennó), Vânia Bastos, Clara Nunes e muitos outros. Entre seus parceiros estão Adoniran Barbosa, Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho e Paulo César Pinheiro, com quem fez o show "O Importante É que Nossa Emoção Sobreviva", ao lado da cantora Márcia, lançado em dois discos. Na década de 80 gravou discos solo e atuou como produtor para artistas como Beth Carvalho. Foi com sua composição "Verde", em parceria com J.C. Costa Neto, que a cantora Leila Pinheiro foi revelada ao grande público, no Festival dos Festivais de 1985. Gravou em 1998 o disco "Pra Tirar o Chapéu", em que atua como compositor, cantor, arranjador e letrista, ao lado do grupo Notícias dum Brasil. Em 2001 gravou, ao lado de Fátima Guedes, o CD Luzes da Mesma Luz, com arranjos seus, para orquestra. Em 2005 lançou o CD “Um jeito de fazer samba”, novamente com o grupo Notícias dum Brasil. Em janeiro de 2007 foi homenageado por alguns de seus parceiros e amigos, como Paulinho da Viola, Guinga, Elton Medeiros, Jair Rodrigues, Vânia Bastos, Ná Ozetti, Maria Rita, Fátima Guedes, dentre outros, em shows no SESC Pompéia. Em abril do mesmo ano, apresentou-se em temporada no teatro FECAP ao lado de Leila Pinheiro, trabalho este que resultará em um CD, atualmente em fase de produção.

Márcia

Em sua juventude, Márcia foi crooner de orquestras, cantando em bailes e festas, em São Paulo. No final dos anos 50 trabalhou na TV Tupi e em seguida mudou-se para Porto Alegre, onde atuou na Rádio Farroupilha. Cantora premiada, voltou para São Paulo em 1963, cantou em casas noturnas e participou de vários festivais de música popular. Num deles (III FMPB da TV Record), sua interpretação de "Eu e a Brisa" (Johnny Alf) tornou-se popular e foi gravada na coletânea do festival. Em 1968 gravou seu primeiro LP, chamado, justamente, "Eu e a Brisa", que incluía outros clássicos da música brasileira, como "Pra Machucar Meu Coração" (Ary Barroso) e "Aula de Matemática" (Tom Jobim/ Marino Pinto). Seus discos seguintes tiveram, no repertório, Francis Hime e Ruy Guerra ("Minha"), Assis Valente ("Fez Bobagem"), Noel Rosa ("Ilustre Visita"), Johnny Alf ("Eu e o Crepúsculo") e outros. Nos anos 70 apresentou-se com Paulo César Pinheiro e Eduardo Gudin no espetáculo "O Importante É que a Nossa Emoção Sobreviva", e com a mesma dupla lançou em 1996, o CD "Tudo o que Mais Nos Uniu". Nesta Virada Cultural, ela volta a se encontrar com Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro para reviver o memorável álbum O Importante é que a Nossa Emoção Sobreviva.

Paulo César Pinheiro

Letrista de centenas de canções da MPB, começou escrevendo versos da juventude, e nos anos 60 fez as primeiras letras para músicas de João de Aquino. Em 1968 sua música "Lapinha", em parceria com Baden Powell, venceu a I Bienal do Samba da TV Record. Participou de outros festivais e compôs trilhas para teatro, cinema e televisão. Na década de 70 gravou o disco "O Importante É que Nossa Emoção Sobreviva" com a cantora Márcia e Eduardo Gudin, derivado do show de mesmo nome. Publicou livros de poemas e lançou CDs com as músicas letradas por ele: "João Nogueira e Paulo César Pinheiro" (1994) e "Tudo o que Mais Nos Uniu: Eduardo Gudin, Márcia e Paulo César Pinheiro" (1996). Entre suas parcerias mais famosas estão "Matita Perê" (com Tom Jobim), "Saudades da Guanabara" (com Aldir Blanc e Moacir Luz), "A Grande Ausente" (com Francis Hime), "E Lá Se Vão Meus Anéis", "Maior É Deus", "A Velhice da Porta-bandeira" (ambas com Eduardo Gudin), "Aviso aos Navegantes", "É de Lei", "Refém da Solidão", "Cai Dentro", "Falei e Disse", "Lapinha", "Diálogo" (todas com Baden Powell), "Sagarana", "Viagem" (com João de Aquino), "Agora É Portela 74", "Pesadelo" (com Maurício Tapajós), "Cicatrizes" (com Miltinho), "Menino Deus" (com Mauro Duarte), "Vento Bravo" (com Edu Lobo) e "Bolero de Satã" (com Guinga).