A segunda edição da Virada Cultural começou às seis da tarde do dia 20 de maio de 2006, com uma queima de fogos na área central da cidade e marcou a firmeza do paulistano sobre o seu direito sobre a cidade. Marcada pela violência criminosa uma semana antes, os moradores participaram ainda mais ativamente das atividades que marcaram as 24 horas da segunda Virada. Poucos minutos depois das 18 horas, a Banda Mantiqueira e seus 14 músicos ocuparam o palco do Anhangabaú, onde mais de cinco mil pessoas aguardavam o início da festa. “A Virada é uma manifestação pela paz; é um gesto de reação da cidade contra a violência”, resumiu o prefeito Gilberto Kassab, que dedicou a noite aos eventos do centro da cidade. Acompanhando a banda, o cantor e compositor João Bosco elogiou a Virada: “É bom ter uma festa como esta, onde as pessoas estão envolvidas por uma atmosfera de cultura”.
O secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, destacou a importância da Virada para que a população recuperasse seu espaço: “Com o evento, a Cultura está contribuindo para que as pessoas recuperem o sentimento de viver em conjunto. A Virada resgatou essa face, esse sentimento de pertencimento, que nem todo mundo conhece". A cultura e as pessoas são os valores maiores dessa cidade. Assim o presidente da SP Turis, Caio Luiz de Carvalho resumiu o espírito do evento.
A festa
O Centro da Cidade virou uma grande festa na Virada. Funk no Largo do Café, rap no Largo da Pólvora, samba na Praça do Patriarca, grandes pianistas na Praça D. José Gaspar, agito no Mercado Mundo Mix, hip hop no São Bento. E filas que não acabavam para o público que lotou todas as apresentações no Theatro Municipal (mais de 1500 lugares). No Pátio do Colégio, cerca de mil pessoas acompanharam a palestra do jornalista Gilberto Dimenstein sobre inclusão social e a apresentação da Orquestra Bachiana Jovem, regida pelo maestro João Carlos Martins.
No Theatro Municipal a festa começou mais cedo. Por volta das 4 horas da tarde, as filas já não cabiam nas escadarias. Os ingressos para o primeiro show, de Francis Hime e Trio, esgotaram duas horas antes. O mesmo aconteceu para o show do Zimbo Trio e Convidados -- Heraldo do Monte e Hector Costita. “A primeira Virada foi ótima e esta está sendo ainda melhor", disse Amilton Godoy, pianista do Zimbo para o delírio da platéia.
Lotação esgotada também aconteceu na Casa das Rosas, na Avenida Paulista. Primeiro para a programação “Desconcertos na Paulista”, com o crítico Matthew Shirts e, em seguida, para o “E Agora Drummond?”, dirigido por Zé Carlos Freyria. Ainda na região da Paulista, um grupo de ciclistas iniciou o circuito Pedal, que percorreu os museus da área central - Pinacoteca do Estado, Museu da Língua Portuguesa e Museu de Arte Sacra.
A animação esteve presente em várias regiões da Cidade. Durante a madrugada, quase 3 mil pessoas assistiram à apresentação do Grupo Atitude 4, em Guaianazes. Antes, passaram pelo palco os grupos Redenção, Tô na Área e Farufyno, sempre em um clima de muita tranqüilidade.
Do início da Virada Cultural até duas da manhã cerca de 8 mil pessoas passaram pelas unidades do Sesc Paulista, Pinheiros e Pompéia. Neste último, um dos destaques foi a apresentação do 5Hype – Eletrônico & Eróticos. A Rua Central do Sesc Pompéia a 1 hora da manhã mais parecia uma tarde de domingo. Casa lotada com muita música e performances.
O encerramento oficial foi no domingo, dia 21 de maio, às 18 horas, com show de Luiz Melodia, no palco do Parque da Independência, em frente ao Museu do Ipiranga. Foram cerca de 600 eventos assistidos por um público de cerca de 1,5 milhão de pessoas em todas as regiões da Cidade. E segundo dados divulgados agora pelo Centro de Operações da Polícia Militar, nenhuma ocorrência foi registrada nessas 24 horas da Virada Cultural.